sábado, 21 de agosto de 2004

Oi Pessoal,

Não sei se repararam que agora com o início dos Jogos Olímpicos em Atenas, quase todos os comerciais que passam na TV são referentes à esportes.

Segue um texto muito bacana, que comenta um pouco sobre as olimpíadas de Atenas, e mostra como é o capitalismo que ganha medalha de ouro com as Olimpíadas.

abração aí gente, e bom final de semana!!!

MOCA


A farsa olímpica
Por Cajabis Cannabis

Há exatos quatro anos, nos primórdios de nosso glorioso ABACAXI ATÔMICO, eu publicava um texto em minha coluna levantando algumas questões sobre as Olimpíadas. O curioso é que esse texto, com algumas modificações, poderia se aplicar muito bem aos Jogos Olímpicos de Atenas, que se iniciaram na semana passada.
Sei que sou bastante ranzinza às vezes (imagina...) e pego muito no pé do voleibol (eu detesto vôlei, acho o jogo mais sem graça do mundo). E a seleção brasileira de futebol nem chegou a se classificar para esta edição dos jogos, e já crucificamos o Ricardo Rocha, que era o técnico da Seleção pré-olímpica. Mas eu gostaria de fazer alguns comentários sobre quatro pontos:
1) O doping: a credibilidade dos jogos está em jogo. Grandes atletas estão sob suspeita - e o caso emblemático é o de Marion Jones, detentora de três medalhas de ouro em Sidney. O escândalo tomou proporções tais que foi sugerida a eliminação sumária da equipe norte-americana de atletismo, tantos foram os atletas pegos no anti-doping.
2) Brasil, "potência olímpica": toda Olimpíada é a mesma coisa, o mesmo papo furado. As esperanças de medalha, o "nosso" atleta disso, daquilo, fulano é favorito, cicrano vai pra ganhar medalha... Daí as emissoras de tevê vão procurar aqueles atletas que realmente só aparecem de quatro em quatro anos, depois de conseguirem a classificação para os jogos a duras penas. E a gente se lembra que existem esportes esquisitos como esgrima, remo, tiro, canoagem. Normalmente, esses atletas não recebem nenhuma atenção da imprensa, muito menos qualquer apoio. Depois das Olimpíadas, tudo volta ao que era antes, com esse pessoal passando o chapéu para poder competir. O ufanismo toma conta da nação e parece que ninguém tem coragem de dizer o óbvio: o desempenho do Brasil na história dos Jogos Olímpicos é ridículo. Os atletas que ganham medalhas vencem quase sempre por méritos próprios, o incentivo que recebem é notoriamente insuficiente.
3) A cerimônia de abertura foi como um desfile de escolas de samba. Sem samba. Ou seja: um porre.
4) Ninguém mais ouve falar no lema "o importante é competir". Claro, tem muita grana envolvida nisso tudo. Uma vitória significa mais contratos de publicidade, visibilidade nos quatro cantos do mundo. O dinheiro virou a alma dos jogos, superando até a vaidade dos que teimam em se tornarem super-atletas, super-heróis. O importante é ganhar, nem que pra isso você tenha que se entupir de anabolizantes. Confraternização, fraternidade... isso tudo fica para as cerimônias de abertura e encerramento, quando jogam pra cima da gente muito sentimentalismo e conversa fiada.
As Olimpíadas se transformaram numa enorme farsa, movida a interesses publicitários, subornos de membros do COI na hora de escolher a cidade sede e muita política para mobilizar a opinião pública de vários países em torno do evento. Tanta grandiosidade só serve para varrer as podreiras pra debaixo do tapete.

cajabis@abacaxiatomico.com.br

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